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Pastor Também Precisa De Pastor? Será???


Quantos pastores e esposas de pastores têm alguém que lhes dá cuidado pastoral? Dez por cento? Cinco por cento? Um ou dois por cento? É difícil dizer, mas, o que podemos dizer é que para a maioria de nós, que somos pastores, falta um pastoreio para nossas próprias vidas.

Isto pode nos levar a outra pergunta. O que é pastoreio? Muitos diriam que o pastoreio tem muito a ver com a pregação. Outros destacariam o evangelismo. Outros, fazendo uma análise do seu tempo, observariam que passam mais tempo em administração do que em qualquer outra atividade. Sem dúvida o pastoreio inclui todas estas atividades.

Mas o trabalho principal do pastor, olhando o modelo bíblico, é de cuidar do rebanho. Salmo 23 não fala de pregar, ou evangelizar, nem de administrar. E quando Jesus explica o que é um bom pastor, também não fala dessas atividades. Ele fala de conhecer intimamente as ovelhas, cuidar delas e as ajudar a se desenvolver (João 10). Este cuidado é o que Deus cobra dos pastores de Israel em Ezequiel 34. Quero sugerir que o coração do pastoreio é o cuidado e desenvolvimento do rebanho.

Com isto em mente, poderíamos definir o pastoreio desta forma: O pastoreio é o cuidar e o desenvolver os santos para poder apresentá-los perfeitos ao grande Pastor, Jesus Cristo.

Dada a definição, podemos voltar à pergunta: o pastor precisa de um pastoreio? Ele é ovelha também, ou já não tem necessidades como as outras pessoas? É um super-homem ou precisa de um cuidado para a vida dele? Ele é gente de carne e osso ou já alcançou a perfeição?

A resposta a estas perguntas parece óbvia. Mas a prática de vida de muitos pastores nega o óbvio!
Algumas denominações têm um dia mensal para o obreiro. Mas essas reuniões ou tratam de assuntos administrativos ou têm pregações gerais que, muitas vezes, não atingem as necessidades específicas dos pastores. Outras denominações têm superintendentes ou bispos para supervisionar os pastores. Mas, raras vezes, isto acontece de forma que o pastor sinta o calor de um cuidado pastoral pessoal. Algumas cidades têm conselhos de pastores que se reúnem mensalmente.
Isto ajuda com certo nível de comunhão e unidade, mas, raramente estes pastores chegam a ter o tipo de relacionamento onde poderiam compartilhar problemas íntimos.
E se estas atividades não atingem as necessidades dos pastores, como será, então, para as esposas de pastores? Geralmente estas atividades não incluem as esposas. Se o pastor é isolado ou solitário, a esposa do pastor geralmente é o dobro!

Está tudo bem? Podemos continuar como estamos? Uma vez que temos funcionado assim por muitos anos, precisamos mudar? Mudar costumes, hábitos e mentalidades estabelecidas por muitos anos será difícil. Podemos continuar ignorando os problemas pessoais de pastores e suas esposas e manter o mini
Seria bom perguntar: O que acontece quando um pastor não tem alguém que estenda o cuidado pastoral para a vida dele?
1. Ele sofre: Não tem um meio de ser real, de abrir-se, de expressar suas dores e dificuldades. Ele não cresce como deve por que ninguém o está ajudando superar pontos fracos. Ele facilmente se esgota, sempre dando e nunca recebendo. E, muitas vezes, a igreja, a denominação ou até mesmo o pastor, acha que deve ser assim porque considera que isto é uma indicação de que ele está dando a sua vida pelas ovelhas.
2. Sua esposa sofre: Todo homem que tem um chamado para o ministério se for honesto, vai admitir que ele facilmente deixe o ministério tomar prioridade em relação à esposa. Muitos têm brincado que o pastor tem duas mulheres: a igreja e a esposa. É comum um homem não crente, com duas mulheres, dar menos atenção e entregar menos de seu coração à sua esposa do que à segunda mulher. O pastor tem de lutar contra a mesma tendência e, muitas vezes, perde a luta. Até pode ser que pare de lutar e deixe o ministério dominar sua vida.
3. Os filhos sofrem: Quantas vezes filhos de pastores querem ser qualquer coisa, menos pastor. Ainda quando sentem um chamado para o ministério, geralmente tem em mente ser outro tipo de ministro ou pelo menos não ser um pastor como o seu pai. Um fator que se encaixa aqui, em muitas denominações, especialmente as pentecostais, é a falta de honra financeira dada ao pastor.
4. Os líderes da igreja sofrem: Eles não recebem um cuidado pastoral para suas vidas porque o pastor não sabe compartilhar o que nunca recebeu. Quando eles vêem problemas na vida do pastor, muitas vezes, sentem que têm que chegar a soluções políticas, porque não existe alguém a quem eles poderiam recorrer para exortar o pastor. E os líderes reproduzem o modelo de ministro que o pastor demonstra: negligenciando suas famílias, sendo fortes e fechados. Quando eles têm problemas, em muitos casos, não os levam para o pastor, porque sabem que ele é ocupado demais ou temem que ele possa julgá-los por seus problemas, ao invés de ajudá-los.
5. A igreja sofre: Quando o pastor, sua esposa, seus filhos e os líderes da igreja sofrem, é impossível que a igreja não sofra! Além disso, os membros geralmente tomam o pastor como modelo de um crente maduro e procuram imitá-lo. Em muitas igrejas isso quer dizer que o "crente exemplar" está enredado no ativismo, não admite problemas pessoais, acha que já conhece tudo que precisa, e encoraja (e até exige) que os outros sejam como ele.
6. O mundo sofre: Jesus falou que o amor seria a marca que convenceria o mundo de que somos seus verdadeiros discípulos (João 13.34; 35). A igreja e o pastor que têm as qualidades indicadas acima não atrairão os descrentes como Deus está querendo. É interessante que pastores têm dito que eram muito mais abertos quando não eram crentes. Eles aprenderam a fechar-se na igreja. Por incrível que pareça, existem coisas boas no mundo que passamos a negar dentro da igreja!
7. Deus sofre: Ninguém sofre sem que Deus sofra também. Se nós pudéssemos ver o coração de Deus em relação a seus pastores, em muitos casos, veríamos um coração quebrantado. Deus ama tanto a seus pastores que sente muito por eles não receberem um amor e cuidado para suas vidas.

Se nos convencermos que pastores e suas esposas precisam de alguém para estender um cuidado pastoral para suas vidas, devemos passar urgentemente a outra pergunta: como um pastor e sua esposa podem experimentar um cuidado pastoral?

Num certo sentido a resposta não é complicada. Existem vários modelos de pastoreio de pastores que são bons.
Por outro lado, a resposta não pode ser muito simples porque estamos falando de uma mudança de atitude, de valores e de uma mudança de vida.

A primeira é treinar pastores em como formar discípulos, começando com a liderança principal de sua igreja. A maioria dos pastores do Brasil entende o discipulado de forma diferente da que Jesus entendeu. Acham que o discipulado é um trabalho, de um a três meses, desenvolvido para ajudar novos convertidos; especialmente àqueles que estão se preparando para o batismo.
Para Jesus, o discipulado foi a formação dos principais líderes da igreja que iriam reproduzir. O movimento de discipulado pretende ajudar o pastor na formação de seus principais líderes, para que estes, por sua vez, comecem seus próprios grupos de discipulado, selecionando as pessoas que teriam a maior possibilidade de liderar outros grupos. Neste movimento cada pastor (e cônjuge de pastor) tem a opção de ter um pastor discipulador e participar de um grupo de discipulado com outros pastores, experimentando, assim, um pastoreio em sua vida.

A segunda forma do pastor ser pastoreado, é por meio de encontros, de três ou quatro dias, onde pastores e esposas podem experimentar o que é um grupo de apoio pastoral. Oferecer ferramentas e treinamento prático em várias áreas, como a de desenvolver uma equipe pastoral na igreja local. Buscar saber os principais problemas que o pastor enfrenta e ajudá-lo da melhor maneira possível, orientando, aconselhando, e principalmente,
OUVINDO.
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3 comentários:

Wilson Parpinelli disse...

Olá Pr. Marcos,
Aqui é tudo ao gosto do freguês ?!?!
Então me vê aí um "combo teológico" sob medida pra mim ?!?
Pode ser pipoca grande... hehehe
Parabéns pastor, o Blog tá excelente...
Quando quiser, me faça uma visita:
www.teologiainteligente.blogspot.com
Graça e Paz !!!

JUSIER MAX disse...

O meu antigo pastor por não ter um acompanhamento espiritual de seus lideres, acabou por "cair" e hoje está muito mal, oro pra que sua vida seja restaurada.

Jusier Max
http://featualizada.blogspot.com/

"Se na terra agente não se ver, lá na glória agente se fala!"

Anônimo disse...

Parabens pelo artigo! Muito interessante.

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